Tricomoníase

Apesar de todo o conhecimento que se tem acerca das doenças sexualmente transmissíveis (DST) hoje em dia, esse ainda é um assunto que precisa ser debatido. Nas escolas, muitas vezes o jovem ainda não experimentou o início da vida sexual, e só vai entender a importância do que aprendeu anos depois. Por isso, é preciso seguir se atualizando através das campanhas do governo na grande mídia e com os artigos aqui, na internet.

As DST podem ser causadas por vírus, bactérias ou outros micróbios e transmitidas principalmente durante relações sexuais com uma pessoa infectada em que não se usa preservativos. Algumas também se transmitem com a saliva, contato com uma ferida ou até pela transfusão de sangue ou uso de drogas injetáveis, quando a agulha não está devidamente esterilizada.

Enquanto algumas dessas doenças se manifestam através de feridas na pele ou dores no corpo, outras podem não apresentar sintomas. A maioria delas têm cura, mas se não forem tratadas a tempo podem gerar infecções graves ou prejudicar o sistema imunológico, levando, em último caso, à morte.

Hoje, vamos falar especificamente sobre os sintomas e tratamentos para a tricomoníase, doença que equivale a 10% a 15% das DSTs em países desenvolvidos, o que corresponde a cerca de 170 milhões de pessoas no mundo.


O que é Tricomoníase?

Essa doença é causada por um protozoário chamado “trichomonas vaginalis”, um tipo de parasita minúsculo que, como já dissemos acima, se transmite durante uma relação sexual desprotegida ou ou contato íntimo com secreções de uma pessoa contaminada. A tricomoníase acomete principalmente às mulheres e se manifesta através de uma infecção genital.

Nas mulheres, o parasita se hospeda na parte interna da vagina e causa lesões que podem até levar ao desenvolvimento de outras DSTs. É comum que a tricomoníase seja transmitida juntamente com a gonorreia. Nos homens, a doença costuma ser assintomática. Em todos os casos, ela é curável.

O que é Tricomoníase?

Causas da Tricomoníase

O protozoário unicelular trichomonas vaginalis causa uma lesão do epitélio vaginal, ou seja, o tecido que reveste as partes expostas do órgão. Isso favorece o surgimento de úlceras microscópicas que, como já dito, aumentam o risco de contaminação por HIV, HPV, herpes, gonorreia e clamídia, outras DSTs.

O período de incubação da tricomoníase é de 4 a 28 dias, mas em algumas mulheres e principalmente nos homens, o protozoário pode ficar incubado por meses antes de aparecerem os primeiros sintomas, o que dificulta saber quando houve a contaminação.

Transmissão da Tricomoníase

A doença é transmitida através de uma relação sexual sem uso de preservativos com uma pessoa contaminada. E cuidado com as “lendas”: quando há apenas o contato íntimo com as secreções de outra pessoa, ou seja, o sexo oral, há o mesmo risco de transmissão.

Pacientes que têm histórico de tricomoníase ou outras DSTs têm mais chance de contrair a doença.

Sintomas de Tricomoníase

Aproximadamente dois terços das mulheres contaminadas apresentam sintomas. Normalmente, eles aparecem durante ou após o período de menstruação. Veja abaixo algumas das manifestações possíveis:

  • uretrite
  • vaginite
  • cistite
  • epididimite
  • corrimento amarelado ou amarelo-esverdeada
  • prostatite (nos homens)
  • irritação na parte interna do pênis
  • coceira e vermelhidão nos órgãos sexuais
  • dor nos órgãos sexuais ou durante relações sexuais
  • ardência e dificuldade para urinar ou ter um orgasmo
  • urinar mais vezes por dias, principalmente pela manhã

O parasita pode ficar longos períodos no trato urinário masculino sem causar dores ou outros sintomas, e pode haver até cura espontânea. Como o homem não sente a presença da doença, fica mais fácil que ele transmita para as mulheres.

Diagnóstico de Tricomoníase

Preste atenção aos sintomas acima e leve uma lista para seu médico, juntamente com seu histórico de doenças, se já teve alguma DST. Tente relembrar as relações sexuais que teve ultimamente, se alguma delas foi sem proteção. Isso facilitará o diagnóstico.

As especialidades mais habilitadas para detectar a tricomoníase são ginecologista ou urologista, e eles normalmente farão primeiro um exame físico, que deve ser complementado com exames laboratoriais e de imagem. É possível, por exemplo, colher uma amostra do corrimento ou secreção vaginal, se houver.

Outros exames que auxiliam no diagnóstico são o papanicolau ou o de sangue, para checar se há infecção em outras partes do corpo.

Tratamento de Tricomoníase

A tricomoníase precisa ser tratada assim que aparecerem os primeiros sintomas. Durante o processo, a paciente precisará ficar sem relações sexuais, para não correr risco de ferir ainda mais a área ou transmitir a doença para um parceiro.

Há o tratamento via oral e também tópico, com o uso de cremes especiais no órgão sexual. Normalmente, eles são ministrados ao mesmo tempo. Importante lembrar que a doença tem cura e é comum que o paciente se restabeleça normalmente.

Como já dito, quem já teve tricomoníase ou outra DST tem mais risco de voltar a contrai-la. Por isso, é muito importante tomar os mesmos cuidados após o tratamento e sempre usar preservativos durante o sexo. Também vale a pena checar se o parceiro fixo não está infectado.

Medicamentos para Tricomoníase

Sintomas da Tricomoníase

  • Colpatrin
  • Colpistatin
  • Tinidazol
  • Flagyl
  • Flogo Rosa
  • Gynopac
  • Metronidazol
  • Secnidazol
  • Helmizol (comprimido ou gel)
  • Nitroimidazólicos (não recomendado para gestantes)
  • Clotrimazol (não recomendado para gestantes)

Possíveis complicações

O principal perigo da tricomoníase é para mulheres grávidas. Durante a gestação, a doença pode causar ruptura prematura das membranas que protegem o bebê, levando a um parto prematuro. O uso de medicamentos também fica mais restrito nesses casos.

No geral, a tricomoníase pode causar:

  • infecção urinária
  • infertilidade
  • câncer do colo do útero
  • maior chance de contrair o HIV e outras DSTs

Caso o paciente já tenha HIV no momento que contrair tricomoníase, as chances de transmitir as doenças para outra pessoa aumentam significativamente.

Convivendo com Tricomoníase

Por todos os sintomas listados mais acima, não é possível conviver com a tricomoníase. O órgão sexual fica afetado por dores, coceira, vermelhidão e outras sensações desagradáveis que levam o paciente a buscar tratamento imediatamente. Com o rápido diagnóstico, as chances de cura ficam muito maiores.

A ideia é eliminar completamente o agente causador, ou seja, o protozoário trichomonas vaginalis, portanto durante o tratamento a pessoa deverá ficar sem relações sexuais. Com a medicação adequada, a doença costuma ser eliminada em uma semana. Depois disso, o órgão sexual volta à normalidade, assim como a rotina do paciente.

Prevenção do Tricomoníase

A tricomoníase raramente é transmitida por objetos, como seringas. Normalmente, a forma de contágio são as secreções dos órgãos sexuais, seja por contato direto (penetração) ou indireto (sexo oral). E há apenas uma forma de nunca correr risco de contrair essa doença ou qualquer outra DST: o cuidado durante as relações.

O principal preservativo que pode ser usado é a camisinha, que pode ser masculina ou feminina, e é encontrada em vários materiais e tamanhos. Procure o mais adequado para você. Cuidar da higiene após a relação sexual também é importante. Use sabonetes específicos para as áreas íntimas.

Outra medida importante é, ao menor sinal de algo estranho no órgão genital ou em qualquer parte do corpo, logo após uma relação sexual sem proteção, procure um médico.

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Pergunta dos leitores

Tricomoníase tem cura?

Sim, na maioria dos casos. É importante que ela comece a ser tratada logo no início do aparecimento dos sintomas. Os medicamentos que serão ministrados (via oral e uso tópico) servirão para eliminar totalmente o trichomonas vaginalis do organismo.

Quais os perigos de pegar Tricomoníase na gravidez?

As mulheres gestantes podem continuar tendo relações sexuais, se tomar alguns cuidados e obedecer a recomendações médicas. Mas o uso de preservativos é ainda mais essencial para as grávidas. Elas não ficam imunes a DSTs, e o bebê pode ser prejudicado. Durante os nove meses, as mulheres ficam muito mais frágeis e suscetíveis a infecções.

A doença pode causar ruptura prematura das membranas que protegem o bebê, levando a um parto prematuro. O feto também corre riscos. Estudos mostram que a tricomoníase durante a gravidez pode ser um fator de risco para a incapacidade intelectual da criança, no futuro.

A tricomoníase também pode causar hepatite crônica, câncer do colo do útero e infertilidade em mulheres grávidas. Esses e outros fatores tornam os exames e acompanhamentos pré-natal ainda mais importantes.