Esquistossomose

Algumas doenças apresentam alguns sintomas comuns, sendo facilmente confundidas com uma simples virose, mas podem significar uma situação mais grave. A esquistossomose é uma dessas doenças e ela mata dezenas de milhares de pessoas por ano.

O que é Esquistossomose

A esquistossomose, também conhecida como bilharzíase, coceira de nadador ou febre de Katayama, é uma doença que ocasiona em alguns problemas crônicos de saúde. Quando a água doce está infectada com larvas de uma espécie de parasita chamada Schistosoma e a pessoa em contato com essa água, há grandes chances de contrair essa doença.

Esses vermes, quando estão em sua forma adulta e ainda sim são microscópicos, vivem no trato urinário e dos intestinos, especialmente em suas veias de drenagem. Deste modo, grande parte de seus ovos geralmente fica presa nos tecidos, sendo que a reação do corpo a esses parasitas pode ocasionas os tais grandes danos à saúde.

Sintomas da Esquistossomose

Os primeiros sintomas da infecção podem surgir só após alguns dias, que é uma erupção na pele ou coceira no local onde o parasita penetrou. Apesar disso, é supercomum as pessoas não sentirem nenhum sintoma inicial.


Após isso podem levar até dois meses para os próximos sintomas virem à tona. No caso, isso acontece quando o parasita atinge o sangue e viaja pela corrente sanguínea. Os sintomas seguintes são calafrios, febre, dores musculares e febre.

Uma vez na corrente sanguínea, o parasita pode ir para o fígado ou então se alojar na bexiga ou intestino. No caso de esquistossomose intestinal, o paciente pode passar a desenvolver sangue nas fezes, diarreia, dor abdominal e esquistossomose urogenital.

Quando o caso de esquistossomose urogenital acontece, há sinal de sangue na urina. Além disso, podem aparecer fibrose do ureter e da bexiga. Danos renais são possíveis e são diagnosticados em casos mais avançados. O câncer de bexiga é uma possível grave complicação que acontece nas fases posteriores.

Ciclo da Esquistossomose

Ciclo da Esquistossomose

Os vermes adultos desta espécie costumam viver dentro das veias que ficam no interior do fígado. Quando eles procriam, vão para as veias da parede intestinal e a fêmea deposita mais de 1.000 ovos por dia. Como esses ovos possuem um pequeno espinho lateral para se fixar e produzem uma enzima que consegue furar a parede intestinal, pouco a pouco vão indo pra dentro do intestino.

Quando isso ocorre, eles são postos para fora junto com as fezes. Se essas fezes vão para a água doce, o ovo rompe e uma larva ciliada (miracídio) nasce, mas ela fica viva por apenas algumas horas. Para se manter vivo e continuar seu ciclo, o miracídio penetra em um caramujo pertencente à espécie Biomphalaria. Dentro dos caramujos, os miracídios passam por um novo ciclo, o de reprodução assexuada, o que gera (após 30 dias) diversas larvas, as cercarias.

Cada uma dessas larvas cercária vive entre 1 e 3 dias, que é o tempo que elas têm para penetrar na pele de alguém e abrir espaço na pele humana. É nesse ponto que começa a doença.

Causas

Para contrair esquistossomose, a pessoa precisa entrar em contato com a água doce que está contaminada com o parasita Schistosoma. Para que ocorra essa contaminação, é necessário que as fezes humanas que contém ovos dessa espécie entrem em contato com a água doce, vide explicado no tópico acima.

Apenas de entrar em contato com essa água, seja nadando, tomando banho, ingerindo ou encostando é possível contrair a doença. Claro que quanto mais imerso estiver na água e maior tempo de contato, maiores as chances de ser contaminado.

Depois de algumas semanas, os vermes crescem em nossos vasos sanguíneos e produzem ovos, sendo que esses ovos podem migrar para nossa bexiga e intestino e caracterizando a evolução da doença.

Para fins de curiosidade, a Esquistossomose urogenital é causada pelo Schistosoma haematobium, enquanto a esquistossomose intestinal por qualquer dos seguintes organismos: S. guineensis, S. mansoni, S. intercalatum, S. mekongi e S. japonicum.

Fatores de risco

A esquistossomose acontece mais em áreas tropicais e subtropicais, principalmente nas comunidades que não possuem acesso a água potável e saneamento básico adequado. Para termos ideia, é estimado que pelo menos 90% das pessoas que possuem esquistossomose mora na África.

Em geral, a esquistossomose afeta locais pobres e rurais, especialmente as populações de pesca e agrícolas, exatamente pela ausência de saneamento básico. Claramente realizar tarefas domésticas em águas contaminadas, como lavar roupas, aumenta consideravelmente o risco de infecção. Crianças em geral são facilmente mais afetadas pela doença. A Organização Mundial de Saúde relata que graças ao aumento do ecoturismo e de viagens para essas áreas de risco, o número de turistas com esquistossomose aumentou.

Tratamento da Esquistossomose

Apesar de ser uma doença que pode trazer algumas consequências complicadas se não tratada a tempo, seu tratamento é bem simples. Para tratar esquistossomose, o paciente fará uso de algum antiparasitários (geralmente oxamniquina ou praziquantel).

Após ingerir o medicamento, o parasita morre em uma média de tempo que varia de um a dois dias.

Prevenção

A maior prevenção é evitar contato com a água doce que você não sabe estar própria para uso. No caso, o controle da esquistossomose é se baseado em um tratamento em grande escala nos grupos de risco, além de melhorar o acesso a água potável e criar um sistema de saneamento básico. A educação sanitária é uma das maiores implementações para a prevenção, assim como o controle de caramujos em rios e lagos.

A OMS vem realizando tratamento em alta escala nos seguintes grupos: crianças com idade escolar que moras nas áreas endêmicas; adultos que também vivem nas áreas endêmicas; pessoas que realizam tarefas domésticas com contato na água infestada; profissionais de atuam em contato à água infestada e; comunidades inteiras das áreas de possível alta contaminação.

A própria Organização Mundial de Saúde dizer que o controle da esquistossomose nos últimos 40 anos já foi implementado com total sucesso em vários países, como o Brasil, China, Camboja, Egito, Arábia Saudita e Ilhas Maurício.

Diagnóstico

Esquistossomose

O diagnóstico da esquistossomose é feito através da observação de ovos do parasita na urina ou fezes do paciente ou então com a detecção do parasita no sangue. Os testes que podem ser realizados são:

De anticorpos para observar sinais de infecção; hemograma completo (verificar anemia); biópsia do tecido; contagem de eosinófilos; função hepática; função renal; exame de fezes e; de urina tipo I.

Possíveis complicações

Apesar de ser uma doença simples, algumas complicações chatas podem aparecer, como aumento do fígado em casos avançados de esquistossomose intestinal, além de alargamento do baço.

As complicações da esquistossomose urogenital podem ser: fibrose do ureter e da bexiga, além de danos renais; câncer de bexiga; lesões genitais, como sangramento vaginal e dor durante a relação sexual; possíveis nódulos na vulva; e infertilidade irreversível. Nos casos pediátricos, a esquistossomose pode ocasionar em anemia, reduzida capacidade de aprender e raquitismo.

Já a esquistossomose crônica consegue afetar a capacidade dos pacientes de realizar atividades diárias. Em alguns casos, pode resultar em morte. É estimado que mais de 200 mil mortes por ano aconteçam na África Subsaariana devido à esquistossomose.

Pergunta dos leitores

Esquistossomose tem cura?

Sim, tem cura. Se o tratamento for feito a tempo, a esquistossomose é curada em até dois dias de tratamento. O grande problema é quando ela é assintomática, sendo que a pessoa pode estar infectada e desenvolver consequência graves.

Somente os caramujos são hospedeiros da Esquistossomose?

Não. Algumas lesmas e caracóis podem ser os hospedeiros intermediários dos vermes da esquistossomose, desde que eles também entrem em contato com a água contaminada.