O que é Derrame Pleural? É grave? Pode matar? Sintomas, Tratamento, Fisioterapia, e mais…

O que é derrame pleural

Essa doença é causada quando há acúmulo excessivo de água na pleura, uma membrana que recobre o pulmão e fica entre a pleura parietal, superfície interna da parede torácica, e pleura visceral, superfície externa. Ou seja, é uma condição que ataca um ou os dois pulmões, e é sempre causada por outra doença, como você lerá mais abaixo.

Normalmente, já há uma camada muito fina líquido nesse espaço para fazer com que as pleuras deslizem uma sobre a outra e auxiliem a respiração. Quando essa quantidade de água aumenta, é caracterizado o derrame pleural.

Tipos e causas do derrame pleural

O derrame pleural pode ser classificado como transudato e exsudato, diferenciação que você verá em detalhes a seguir.

Transudato

Quando não há células inflamatórias ou lesão perceptível no espaço pleural. Tem como características: relação entre proteína do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,5 e DHL no líquido pleural abaixo de 2/3 do limite superior no soro.


Entre as causas desse tipo da doença estão:

  • embolia pulmonar
  • cirrose hepática
  • insuficiência cardíaca congestiva
  • diálise peritoneal
  • síndrome nefrótica
  • neoplasias
  • iatrogenia
  • pericardite constritiva
  • urinotórax
  • obstrução da veia cava superior
  • procedimento de Fontan (cirurgia para correção de cardiopatias congênitas

Exsudato

Quando há células em decomposição e um aumento perceptível da permeabilidade dos vasos da microcirculação. Tem como características: relação entre proteína do líquido pleural e sérica maior que 0,5 e DHL no líquido pleural acima de 2/3 do limite superior no soro.

Derrame Pleural

Entre as causas desse tipo da doença estão:

  • infecção bacteriana, por fungos, vírus ou parasitas
  • tuberculose
  • tromboembolia pulmonar
  • após infarto miocárdico
  • síndrome de Dressler (pós-injúria do miocárdio)
  • doenças cardíacas após cirurgia de revascularização miocárdica, de revascularização miocárdica ou de aneurisma de aorta
  • doenças do pericárdio
  • após transplante pulmonar
  • radioterapia
  • pós-parto
  • pancreatite
  • lúpus
  • traumas torácicos ou cervicais
  • após uma queimadura elétrica

Fatores de risco

Além das doenças citadas acima, que podem favorecer o surgimento do derrame pleural, a pressão alta e o contato com asbestos, como o amianto, e outras substâncias cancerígenas também são fatores de risco. Hábitos como o consumo exagerado de cigarro e bebidas alcoólicas também são perigosos nesses casos.

O que é Derrame Pleural?

Sintomas do derrame pleural

Os sintomas abaixo são comuns do derrame pleural, mas também podem ser associados às doenças que causam essa condição. Por isso, para ter certeza, é recomendado fazer um raio-X e outros exames de imagem ou laboratoriais indicados pelo seu médico. Principalmente quando os sintomas forem mais intensos.

  • dificuldade e dor para respirar, principalmente nas inspirações profundas
  • sensação de falta de ar, mesmo em repouso (dispneia)
  • cansaço mesmo com pequenos esforços
  • febre constante acima de 37,5 ºC
  • tosse persistente
  • elevação entre as costelas, como se a pele estivesse sendo empurrada para longe do tórax (casos graves)

Diagnóstico

Normalmente o seu médico fará primeiro um exame físico, que já poderá, pelo toque no tórax, junto com a análise dos sintomas e do histórico, dar um indício de derrame pleural. No entanto, é necessário pedir exames de imagem, para constatar a presença de pus na região dos pulmões.

Também são necessários exames de sangue, da radiografia de tórax, do líquido pleural e, em alguns casos, da toraconcentese acompanhada de biópsia. Outro exame que pode ser solicitado é a vídeopleuroscopia, que pode ser o mais conclusivo de todos.

Derrame pleural tem cura?

Sim. Geralmente, o derrame desaparece quando tratada a doença que o causou, como você verá no item abaixo. No entanto, é preciso cuidar essa mesma doença ou as outras relacionadas ao derrame pleural não reapareçam, porque ele pode ser recorrente.

Mas existem algumas medidas que podem ser tomadas para aliviar os sintomas do derrame, como uma drenagem do líquido em excesso na pleura através de uma toracotomia, procedimento em que se insere um tubo na cavidade pleural. Para isso, é preciso usar apenas uma anestesia local. É possível que a drenagem seja necessária mais de uma vez.

Tratamento

Como dito acima, o tratamento não deve ser voltado para o derrame pleural em si, mas para a doença que o causou. Por isso, o mais importante é procurar um médico para que ele identifique a origem do derrame e das condições de saúde precárias, no geral. Se não tratadas corretamente, essas doenças podem causar a volta do derrame pleural.

O tratamento, portanto, depende da doença inicial, mas normalmente dura pouco tempo e tem altos índices de sucesso. Mas em alguns casos pode ser preciso fazer cirurgia ou colocar drenos no tórax, como explicado acima.

Enquanto se ataca a doença causadora do derrame, é muito importante praticar a fisioterapia respiratória. Nela, o paciente vai fazer exercícios para melhorar a amplitude, a frequência e os diferentes tipos de respiração, o que vai ajudar a diminuir as dores e a sensação de falta de ar.

Complicações do derrame pleural

Principalmente em casos mais graves, quando há necessidade de cirurgia, podem surgir algumas complicações ou sintomas adversos a mais. Alguns deles são:

  • edema pulmonar – pode surgir após uma drenagem muito rápida durante a toracocentese
  • infecção ou sangramentos – principalmente nos pulmões ou pleuras, também decorrentes de cirurgia
  • sepse – infecção generalizada que pode surgir antes ou depois do derrame pleural, ela dificulta a drenagem do líquido e pode levar à morte
  • pneumotórax – em casos raros, a pleura pode ser preenchida com ar, em vez de líquido, o que causa um fenômeno chamado pulmão colapsado, ou simplesmente presença de ar nos pulmões. Essa condição pode aumentar a sensação de falta de ar, aumentar os níveis de oxigênio no sangue e, se acontecer nos dois pulmões, também pode levar à morte

sintomas de derrame pleural

Prevenção

A única forma de prevenir o acúmulo de água nos pulmões, e consequentemente o derrame pleural, é cuidar para não contrair as doenças que causam essa condição. Ou seja, cuidar da sua saúde de forma geral. Analise sempre o seu histórico médico e o familiar, para conhecer as doenças com as quais é preciso tomar mais cuidado.

Praticar exercícios físicos, manter uma dieta balanceada, não fumar e evitar o excesso de álcool, além de serem recomendações clássicas para uma vida saudável, são especialmente importantes para evitar vários tipos de câncer, doença que pode ocasionar o derrame pleural. Também é preciso cuidar da higiene para evitar a contaminação por vírus, fungos e bactérias.

Pergunta dos leitores

O derrame pleural está associado a câncer no pulmão?

Sim. Entre as doenças que podem levar ao derrame pleural está o câncer, e principalmente o de pulmão, já que trata-se do mesmo órgão. Isso acontece porque as células danificadas pelo câncer sofrem metástase e prejudicam a pleura. Além disso, o derrame pode surgir como efeito colateral de radio e quimioterapia.

Existe algum tratamento do derrame pleural com medicamentos?

Não exatamente para o derrame pleural. Para essa condição, a única recomendação, como explicado acima, é a drenagem de líquidos e a fisioterapia respiratória. Mas os medicamentos normalmente são necessários para tratar a doença que causou o derrame. Consulte um médico para saber o melhor tratamento para o seu caso.

O derrame pleural pode matar?

Sim. Em casos graves ou não tratados corretamente, o derrame pleural pode evoluir para um edema pulmonar, uma infecção generalizada ou para pneumotórax, a presença de ar nos pulmões, todas condições que podem levar a óbito.